Palmeiras Derrota o Santos e Conquista o Bi Campão da Libertadores

Abel Ferreira se emocionou. Horas depois de levar o Palmeiras ao segundo título de Copa Libertadores, o treinador português chorou de emoção no gramado e diante dos jornalistas. Passou um “filme”, e a saudade das filhas pautou boa parte da entrevista coletiva concedida no Maracanã, depois do 1 a 0 sobre o Santos.

— Ninguém ganha sozinho no futebol. Ninguém ganha sozinho. Os jogadores falam comigo, falam com psicólogos, falam com pessoal da cozinha. Era a minha família, vivi lá. Sou muito melhor treinador, mas sou pior tio, pior irmão, pior pai, pior marido, pois deixei minha família lá — comentou.

A ausência das filhas, aliás, foi o motivo que gerou o choro copioso dentro do gramado. O treinador até deixou o campo no meio da comemoração em virtude da emoção.

— Vocês não sabem o quanto chorei sozinho de saudade. Chorei muito e saí do campo para ninguém ver o quanto estava chorando. Adoro minhas filhas e esposa e atravessei o Atlântico antes de uma coisa acontecer — acrescentou o treinador.

Abel Ferreira, do Palmeiras, com a taça da Libertadores — Foto: Divulgação/Conmebol

Abel Ferreira, do Palmeiras, com a taça da Libertadores — Foto: Divulgação/Conmebol

Em um momento, Abel precisou parar o próprio raciocínio para engolir as lágrimas que surgiram ao falar das filhas. O treinador veio para o Palmeiras e começou a morar na Academia de Futebol. Em virtude da pandemia de Covid-19, mulher e filhas ainda estão em Portugal.

Abel Ferreira ainda vai seguir um tempo sem ver as filhas. O Palmeiras volta a São Paulo neste sábado, joga na terça contra o Botafogo e embarca depois da partida para o Qatar, onde disputa o Mundial de Clubes. A estreia é no domingo contra o vencedor de Tigres x Ulsan.

Abel Ferreira chora e segura bandeira de Portugal após título do Palmeiras — Foto: Staff Images/Conmebol

Abel Ferreira chora e segura bandeira de Portugal após título do Palmeiras — Foto: Staff Images/Conmebol

Confira mais respostas de Abel Ferreira:

Sentimento pós-título

— Sinceramente, a palavra que passa na cabeça é obrigado. Primeiro lugar é agradecer a todos que treinei e de forma especial e carinhosa aos jogadores do Palmeiras. Não há bons treinadores sem bons jogadores. Quero dizer também que essa caminhada foi o mister Vanderlei Luxemburgo e ele tem um trabalho feito nessa competição. Peguei e o Palmeiras estava em todas as competições. De forma muito sentido, a estrutura do Palmeiras me contratou, não tinha títulos no profissional. Mas há coisas que valem mais do que título. Minha maior alegria foi ver meus jogadores felizes, todo mundo feliz, saber que todos vão receber um salário extra. Saber que nos apoiaram no CT também estão felizes. Não poderia de deixar de falar do Santos, foi um grande time, os jogadores deles mereciam. Foram espetaculares, mas fruto da equipe que é organizada também. Sei que vão querer absorver tudo o que o treinador disse. É dizer que a palavra é obrigado.

Dificuldade com calor

— Jogo não foi o melhor. Primeiro calor, sabíamos que era um jogo e sabíamos que quem fosse fazer o primeiro gol sairia em vantagem. Estávamos preparados para tudo. Queríamos estar preparados para tudo, pênaltis.

E a regra das 24h?

— Serão muitas. Primeiro tenho que agradecer ao Brasil. Primeiro de forma especial ao Palmeiras e à família Palmeiras. Toda regra há uma exceção, e vou permitir quebrar a regra das 24h. Muita coisa está para trilhar, subimos a montanha e estamos a saborear a paisagem. É bom, mas há muitas outras coisas a se conquistar, não se pode distrair com a paisagem.

Abel Ferreira chora após título do Palmeiras — Foto: Staff Images/Conmebol

Abel Ferreira chora após título do Palmeiras — Foto: Staff Images/Conmebol

Ligação especial

— Presidente de Portugal e ligou. É um orgulho tremendo receber uma chamada.

Cobrança à imprensa

— Aconteça o que acontecer, ficaremos na história ou seremos eternos. Gravamos e conseguimos a glória eterna porque é algo muito poderoso e aconteça o que acontecer no futuro vão ter que levar comigo. Quando quiserem me mandar embora, e gostaria que vocês (imprensa) mudassem um pouco, queriam mandar o Abel Braga embora porque tinha sido eliminado. Se tudo correr de forma natural, vai ser campeão. São muitos que lutam pelo mesmo objetivo. Somos um pouco que queremos resultado de um dia para o outro. Não é assim que funciona. Vocês precisam ter paciência. Quem lidera é os dirigentes, que precisam ter a mesma coragem dos treinadores. É nele que acredito e vamos com ele até o fim. Vocês precisam valorizar mais os treinadores de vocês.

Agradecimento a Vanderlei Luxemburgo

— Foi Vanderlei que começou esse trabalho. Não escondo. Temos que fazer um trabalho, tivemos que resgatar alguns jogadores, mas quem começou o trabalho foi ele. Mas fomos nós todos que fechamos. Muita gente perguntou o que tinha dito ao Gallardo, eu disse que ia ganhar essa competição e que se devia ser melhor treinador graças a ele. E ele disse para eu ganhar. Se sou melhor treinador, devo também ao Gallardo.

Dificuldades no Brasil

— Cheguei ao Brasil sem conhecer ninguém. Percebi que é um campeonato muito difícil. Se não ganha dois ou três jogos, quer mandar embora. É um campeonato, é o único campeonato que tem seis ou sete candidatos ao título. Em Portugal tem poucos, Alemanha, poucos. França é sempre o mesmo. Espanha são sempre os mesmos. Aqui tem alguns para conquistar títulos. É muito difícil para se trabalhar.

Sobre Breno Lopes

— O destino é incrível. Único reforço que buscamos, saímos com essa boa peça que foi abençoado e fez aquilo que lhe cabia. Na hora certa, momento certo, dar-nos essa grande vitória

Como parou o Santos?

— Jogamos com três médios em linha. Adiantamos o Veiga. A missão sem bola que era do Zé e do Danilo era fazer coberturas no 1 contra 1, Soteldo ou Marinho. Foram exímios. Foram coisas que tínhamos que anular: construção com dois zagueiros e cinco pelo frente, a segunda coisa era essas coberturas interiores que era o Danilo e o Zé, só estar atento a movimentação e estiveram

“Filme na cabeça”

— Primeira coisa que lembrei foi da família e do título de 2011 com o juniors com o Sporting. Agradeço a todos os jogadores que treinei, de forma especial a esses. Não posso esquecer dos juniors do Sporting, do B do Sporting, do B do Braga, do A do Braga. Porque não falar do presidente do Braga que nunca na história do Braga tinha apostado em um treinador de formação. Tenho que falar sobre o dono do PAOK que pagou uma fortuna para eu ir para lá sem nenhum título e que me vendeu porque eu pedi que me deixasse vir.

Trabalho coletivo

— Não posso acabar sem dizer que sou bom treinador porque tenho uma equipe técnica fantástica. Sou bom treinador, mas todos eles são tão bons como eu. Sou só o líder. Sobre o Breno, eu trabalho sempre em coordenação com a estrutura do clube. Quando tem um clube organizado. Pedi quatro reforços, perdemos dois, o Ramires, que tanta falta me fez, tentei demove-lo de desistir, mas não consegui. Ele faz parte. Foi comigo, mesmo torcedores não gostando, comigo se não tivesse desistido ia nos ajudar muito. Depois Melo se lesionou. Luiz Adriano é o centroavante de “raiz” que a equipe tem, depois improvisamos Rony e Willian. Gabriel Silva é muito menino. Vocês viram o Breno jogar ponta, como 10, como avançado. Foi analisado pelo Barros, pelo Cícero. Tinham informações sempre.

PALMEIRAS – Weverton; Marcos Rocha, Luan, Gómez e Viña; Danilo, Zé Rafael (Patrick de Paula), Gabriel Menino (Breno Lopes), Raphael Veiga (Alan Empereur) e Rony (Felipe Melo); Luiz Adriano Técnico: Abel Ferreira.
SANTOS – John; Pará (Bruno Marques), Lucas Veríssimo, Luan Peres e Felipe Jonatan (Wellington Tim); Alison, Sandry (Lucas Braga) e Diego Pituca; Marinho, Soteldo e Kaio Jorge (Madson). Técnico: Cuca.
GOL – Breno Lopes, aos 53 minutos do segundo tempo.
ÁRBITRO – Patricio Loustau (Argentina).
CARTÕES AMARELOS – Lucas Veríssimo, Gómez, Viña, Diego Pituca, Marcos Rocha, Soteldo.
CARTÃO VERMELHO – Cuca.
LOCAL – Maracanã, no Rio (RJ).

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